China passa a mandar nos fertilizantes do Brasil, deixa Rússia para trás, empurra produtor para adubo fraco, dobra volume nos portos e já acende alerta de dependência para próximas safras brasileiras de soja e milho

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China passa a mandar nos fertilizantes do Brasil, deixa Rússia para trás, empurra produtor para adubo fraco, dobra volume nos portos e já acende alerta de dependência para próximas safras brasileiras de soja e milho

Em 2025, a China superou a Rússia como principal fornecedora de fertilizantes ao Brasil, puxada pela migração para adubos de menor concentração. O volume chinês dobra nos portos, pressiona logística rural, aumenta a dependência e já preocupa para as próximas safras de soja e milho, especialmente a partir de 2026.

Entre janeiro e outubro de 2025, o Brasil importou 38,3 milhões de toneladas de fertilizantes, e a China superou a Rússia como principal fornecedora desses insumos para o campo brasileiro, mudando a geografia de um mercado estratégico para soja e milho. A troca de posições acontece em um intervalo curto e deixa o Brasil mais exposto às decisões de um único grande fornecedor.

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A virada ocorre em meio à forte alta dos fertilizantes, impulsionada por conflitos no Oriente Médio, pela guerra entre Rússia e Ucrânia e pelo aumento dos custos de produção ligado à valorização da matéria-prima. Com a renda apertada, o produtor migra para adubos mais baratos e de menor concentração, aceitando comprar mais volume para continuar nutrindo a lavoura.

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China encosta na Rússia e muda o mapa dos fertilizantes do Brasil

 

 

De janeiro a outubro de 2025, China e Rússia responderam juntas por 50 por cento das 38,3 milhões de toneladas de fertilizantes importadas pelo Brasil.

Cada país ficou com cerca de 25 por cento desse total, mas a China abriu vantagem de 40 mil toneladas e assumiu o topo do ranking de fornecedores.

Na prática, isso significa que metade dos fertilizantes que chegam ao Brasil depende hoje de apenas dois países, mantendo a Rússia relevante ao mesmo tempo em que amplia a influência chinesa sobre a próxima rodada de compras para soja e milho.

O movimento é explicado menos por geopolítica direta e mais pela busca de adubos com menor teor de nutrientes, porém mais baratos por tonelada.

Nitrogenados: ureia sobe 13 por cento e sulfato de amônio dispara

O maior choque veio nos fertilizantes nitrogenados, fundamentais para o milho. Em outubro de 2025, o preço da ureia estava 13 por cento mais alto em relação ao mesmo mês de 2024, segundo a consultoria Argus. Diante dessa alta, importadores e produtores começaram a trocar a ureia por sulfato de amônio.

A diferença técnica é clara: a ureia concentra 46 por cento de nitrogênio, enquanto o sulfato de amônio entrega cerca de 21 por cento.

Para manter a mesma dose de nutrientes por hectare, o produtor precisa comprar muito mais volume físico de fertilizantes.

 

Entre janeiro e outubro, as compras brasileiras de sulfato de amônio cresceram 44 por cento em comparação com 2024, e a China respondeu por 99 por cento desse volume adicional.

Fosfatados: MAP mais caro empurra produtor para Super Fosfato Simples

Movimento semelhante ocorre nos fertilizantes fosfatados, usados principalmente na soja. Um dos produtos mais tradicionais do mercado brasileiro é o MAP 11-52, do qual a Rússia fornece 45 por cento de tudo o que o país utiliza.

Com a alta de preços desse insumo, produtores passaram a buscar opções mais baratas, ainda que menos concentradas.

A alternativa foi o Super Fosfato Simples. Enquanto o MAP 11-52 oferece 52 por cento de fósforo, o SSP varia de 18 a 24 por cento de concentração, exigindo muito mais adubo por hectare para alcançar a mesma entrega de nutrientes.

Nessa troca, a China voltou a ganhar espaço: o país forneceu 24 por cento de todo o SSP importado pelo Brasil nesses dez meses iniciais de 2025.

 

 

Adubos mais fracos dobram volume, entopem portos e encarecem logística

Ao migrar para fertilizantes de menor concentração, o produtor reduz o gasto por tonelada, mas precisa dobrar o volume físico para manter a mesma adubação.

Isso significa mais navios, caminhões, vagões e armazéns dedicados ao mesmo nível de nutrientes aplicado na lavoura.

A Argus alerta que essa escolha tem efeito direto sobre a infraestrutura.

A necessidade de movimentar mais toneladas de fertilizantes aumenta a demanda nos portos, amplia a pressão sobre áreas de armazenagem e sobre os hubs de distribuição.

Assim, mesmo que o fertilizante pareça mais barato na nota fiscal, as despesas logísticas tendem a crescer e a comer parte da economia do produtor.

Safra 2025/26 assegurada, mas 2026/27 chega com volumes em aberto

Para a safra atual de soja 2025/26 e para o milho da primeira safra, já plantado, os volumes de fertilizantes estão garantidos, segundo a Argus. No caso do milho safrinha do próximo ano, cerca de 75 por cento dos nutrientes necessários já foram comprados, o que reduz o risco imediato de falta de adubo.

 

 

O foco do mercado agora se desloca para a safra de soja e milho 2026/27, que ainda tem parte importante dos volumes em aberto. A consultoria já observa uma forte antecipação de compras de produtos de baixa concentração, tendência que deve continuar ao longo de 2026, consolidando a China como grande fornecedora de sulfato de amônio e SSP para o Brasil.

Dependência crescente da China e risco regulatório no horizonte

O avanço da China sobre o mercado brasileiro de fertilizantes acende um alerta adicional: o país asiático tem um mercado interno fortemente regulado, e o governo pode restringir exportações em momentos de demanda doméstica mais forte.

Se isso ocorrer, o Brasil ficaria com menos alternativas e teria de recorrer a fornecedores mais caros para manter a adubação.

No caso dos fertilizantes nitrogenados, a China não adota hoje políticas de restrição para exportações de sulfato de amônio, o que abre espaço para que o volume importado continue aumentando enquanto a ureia seguir mais cara.

Ainda assim, questões geopolíticas e eventuais mudanças regulatórias na China continuam como fator de risco direto para o abastecimento brasileiro de fertilizantes.

 

 

Ao mesmo tempo, a Rússia não deixou de ser relevante: somadas, China e Rússia ainda concentram 50 por cento das importações de fertilizantes do Brasil neste ano.

 

 

Fonte: CPG Click Petróleo e Gás 

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