O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou nesta sexta-feira (15/8) que confia na retirada das tarifas dos Estados Unidos sobre a carne bovina, o café e os pescados do Brasil. Ele ressaltou que o país continua “aberto ao diálogo” para negociar com os americanos.
“Ainda acredito que vamos tirar carne, café e pescados dessa lista de tarifa de 50%, como já aconteceu com a madeira e o suco de laranja. Independentemente disso, é determinação do presidente Lula buscar novos mercados”, afirmou a jornalistas após evento em Cáceres (MT).
“Trabalhamos muito para ampliar o mercado de carne com os EUA, eles se tornaram o segundo maior comprador da carne bovina. No ano passado foram 220 mil toneladas exportadas e até o meio deste ano já foram quase 190 mil toneladas. Tudo indicava que chegaríamos a 400 mil toneladas. Infelizmente, essa tarifa de 50% tira a competitividade da nossa carne, mas quem sofre mais é consumidor americano que fica sem a carne de qualidade e apreço acessível”, comentou o ministro.
Ele ressaltou que o Brasil permanece aberto ao diálogo. “É determinação do presidente Lula não fechar, em hipótese alguma, o espaço para a negociação, agora sempre mantendo a altivez, a nossa soberania, de igual para igual estamos prontos para negociar”, afirmou.
Ele ponderou que, “enquanto essa negociação não acontece efetivamente”, a maior parte das exportações do agronegócio aos EUA já foi retirada do tarifaço. “Tem em torno de 35% das atividades ainda bastante afetadas”, disse.
Fávaro lembrou que já foram abertos 400 novos mercados para produtos da agropecuária brasileira desde 2023 e disse que vai tentar ampliar ainda mais. Ele citou viagens que fará à Angola, México, União Europeia e China em breve.
Questionado sobre a busca de novos mercados para o setor madeireiro, que não está totalmente imune ao tarifaço e tem atuação destacada em Mato Grosso, Fávaro citou o pacote de medidas anunciado nesta semana, com linha de financiamento aos exportadores e o retorno de tributos.
“Não é do dia para a noite que formaliza negócio na área madeireira. É estruturação de cadeias, redirecionar mercados. Enquanto não acontece, tem linhas de crédito, retorno tributário, linhas de manutenção de emprego e busca de novos mercados. É um conjunto de ações, sem deixar de negociar com os EUA, que é o melhor dos mundos”, completou.
FONTE: Globo Rural
POR: Rafael Walendorff — Brasília

