Você já parou para pensar se a cana que vai para as usinas é a mesma que consumimos em forma de caldo, rapadura ou melado? Apesar de serem da mesma planta, existem diferenças importantes entre a cana voltada à produção de etanol e ao consumo, desde a escolha da variedade até o processamento.
Segundo Fábio Cesar da Silva, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital, “Há algumas diferenças entre a cana para produção industrial e para consumo humano direto. Um dos pontos é as variedades de cana-de-açúcar. As cultivares de cana-de-açúcar são selecionadas com base em características específicas, como teor de sacarose na época do ano em que se trabalha o processamento, a resistência à doenças e pragas, ou a mudança na qualidade do caldo produzido e, ainda, a adaptação ao clima e solo”.
Ele explica que “a cana para produção industrial (etanol e açúcar refinado) é geralmente mais rica em sacarose e fibra, enquanto a cana para consumo humano direto (caldo ou alimentação in natura) é mais doce e tem uma textura mais suave”.
Ainda de acordo com o pesquisador, a forma de cultivo da cana pode variar dependendo do uso final. “A cana para produção industrial é geralmente cultivada em larga escala e mais mecanizada nas operações, com foco na produtividade e eficiência. Enquanto a cana para consumo humano direto pode ser cultivada em menor escala e com atenção especial à qualidade da matéria prima”, explica o pesquisador.
No processamento, os objetivos também são distintos. Segundo da Silva: “o processamento da cana nas usinas é projetado para extrair a sacarose e produzir açúcar e etanol, enquanto o processamento para consumo humano direto é focado em preservar a qualidade e a segurança do produto”. Ele completa dizendo que “existem exigências sanitárias e de qualidade diferentes para a cana que vai para o consumo humano direto, que deve atender a padrões rigorosos para garantir a saúde e satisfação do consumidor”.
E quanto ao valor de mercado? Segundo o pesquisador, “existem valores diferentes de mercado. A cana para produção industrial, de larga escala, é geralmente mais barata, enquanto a cana para consumo humano direto pode ter um valor mais alto na produção agroindustrial devido à demanda por qualidade da matéria prima, cuidados no processamento mais simples e também com a segurança e questões sanitárias”.
Supervisionado por Patrícia Neves.
Fonte: EPTV

