Café conilon deixa de ser coadjuvante e avança em qualidade e mecanização

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Café conilon deixa de ser coadjuvante e avança em qualidade e mecanização

Quinze anos após o boom do café conilon no Espírito Santo, os produtores aproveitam os bons rendimentos para mecanizar suas lavouras e investir em qualidade. O Estado vem reforçando sua fama de “berço do conilon” com a descoberta de cultivares mais resistentes a problemas climáticos, pragas e doenças, a renovação das lavouras e o apoio do aumento dos preços da variedade no mercado internacional.

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É o caso da família Agrizzi, que cultiva 200 hectares de café em Sooretama (ES) e investe em manejo, máquinas e beneficiamento do grão. Os Agrizzi, que estão no ramo há 42 anos, plantavam conilon apenas para exportação, mas agora investem em qualidade para atender cafeterias gourmet e clientes mais exigentes, que aceitam pagar mais pelo produto.

É um momento de transição do negócio, conta Sávio Agrizzi, produtor ao lado do pai, Domingos Agrizzi. O filho, da terceira geração no café, lidera a renovação de alguns talhões. Ele tem implementado novas cultivares, todas elas com acompanhamento técnico e de pesquisadores.

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Há alguns anos, a família começou a terceirizar a colheita para auxiliar o trabalho de 14 funcionários fixos. Os Agrizzi também compraram máquinas recolhedoras, que carregam o café após coletado manualmente, o que acelera o tempo que o grão leva para ir da lavoura ao armazém. Com isso, os contratos de vendas são cumpridos até antes do prazo, diz Sávio.

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Pai e filho destacam que as mudanças tecnológicas e as experimentações melhoraram o negócio e já servem de modelo na região. Com as plantas carregadas, a colheita já está em 50% da área cultivada. Além disso, eles produzem o próprio adubo. O material nutre cerca de 800 mil plantas, que estão distribuídas milimetricamente para que produzam mais, sem que seja necessário abrir novas áreas.

Na safra 2025/26, o Estado deve colher 18,7 milhões de sacas de conilon, um recorde, segundo o levantamento mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume, 28,3% maior que o do ciclo anterior, vai puxar o aumento do volume total da colheita de café, que, segundo a estatal, será de 55,7 milhões de sacas.

As projeções animam a indústria de máquinas. Luiz Antonio Vizeu, gerente de relações institucionais do grupo Colombo, de Pindorama (SP), conta que produtores buscaram a empresa para criar um sistema que ajudasse na mecanização do conilon. “Até 2010, toda a colheita era manual. A evolução tecnológica trouxe muitas vantagens, otimizando a colheita e a poda e liberando a planta mais cedo para a safra seguinte”, diz.

No cultivo de conilon, a mecanização chegou tardiamente, mas foi o que contribuiu para a produtividade atual, de quase 140 sacas por hectare nas lavouras mais desenvolvidas. “A mudança dos clones, de arquitetura de plantas, gera novos projetos de máquinas para atender a esse novo sistema de produção”, conta Vizeu.

Os Agrizzi já conseguiram chegar a 90 sacas por hectare, e em alguns talhões, ultrapassaram 100 sacas poro hectare. Eles atribuem o feito à mecanização e ao planejamento de safra, o que inclusive rendeu a eles ganhos diferentes.

A família já colheu cafés de qualidade, que ultrapassaram 78 pontos no sabor da bebida, de acordo com o protocolo internacional da Specialty Coffee Association (SCA, sigla em inglês), a maior associação do setor dedicada à qualidade do grão. Em geral, o preço dos cafés pontuados é de 10% a 20% maior do que o da commodity.

Segundo Fábio Partelli, especialista da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), em 2012, era impossível pensar em tomar um café 100% conilon. “O Estado despontou com rapidez, produzindo muito e com adoção de tecnologia de forma acelerada”, disse.

Ele avalia que o brasileiro está perdendo o preconceito com o conilon, que representava 25% da produção doméstica de café em 2012 e atualmente responde por 45%. O Espírito Santo é exemplo dessa evolução. No fim da década de 1990, o Estado colhia 2,5 milhões de sacas em 320 mil hectares. A área diminuiu, e hoje é de 200 mil hectares, mas, com o aumento da produtividade, o volume já passa de 13 milhões de sacas. “A produção aumentou em seis vezes, em uma área 15% menor”, afirmou.

O perfil dos produtores também mudou. O cafeicultor de grande porte assimilou tecnologias de ponta, como sensores com inteligência artificial. O pequeno, que lucrou mais nos últimos dois anos, começa a comprar suas primeiras máquinas, enquanto o médio busca planejamento para definir seus investimentos, diz Partelli.

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