Brasil pode reduzir mais de 90% das emissões da pecuária até 2050

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Brasil pode reduzir mais de 90% das emissões da pecuária até 2050

Um grupo de entidades brasileiras foi a Roma, na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), nesta semana, para apresentar um estudo que detalha as oportunidades e desafios para a produção pecuária no Brasil.

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Desenvolvido pela FGV Agro, e lançado pela ApexBrasil em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o levantamento “Trajetórias de Descarbonização da Pecuária de Corte no Brasil – 2025 a 2050”, demonstrou como o país consegue responder à crescente demanda global por alimentos e, ao mesmo tempo, mitigar o impacto ambiental por meio da tecnologia tropical.

De acordo com a pesquisa, o setor pecuário enfrenta uma encruzilhada global. Enquanto a demanda por proteína animal aumenta, os três blocos que controlam 70% do rebanho global registram quedas históricas: o Mercosul opera em seu menor nível em seis anos, a América do Norte enfrenta o menor rebanho em 70 anos e, a União Europeia, o menor em 30 anos.

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Na contramão da retração externa, o Brasil se consolidou com o maior rebanho comercial do planeta (192,6 milhões de cabeças em 2024), mostrando que o crescimento produtivo coexiste com a preservação.

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O país utiliza 30,2% de seu território para a agropecuária, mantendo 66,3% da vegetação nativa preservada — sendo que 33,2% está resguardada por lei dentro das propriedades rurais privadas.

 

“Efeito poupa-terra”

 

Entre 2004 e 2024, a produção nacional de carne bovina disparou mais de 240%, enquanto a área total de pastagens encolheu 11% (reduzindo de 181 para 160 milhões de hectares). Esse salto gerou o chamado “efeito poupa-terra”, que poupou 397 milhões de hectares — área que teria sido necessária se o país mantivesse os mesmos índices de produtividade de 1990.

A pesquisadora da FGV Agro Camila Estevam, detalhou os dados técnicos do estudo que traduzem esse ganho de eficiência em metas climáticas:

“O primeiro grande resultado foi mostrar que as tendências que o setor já executa reduzem em até 60% as emissões absolutas até 2050. Quando olhamos para a intensidade de carbono, a redução chega a 80% no cenário de referência, baixando de 80 kg para 16 kg de CO2 equivalente por quilo de carne”, disse Estevam, em nota.

Setores apresentam dados sobre pecuária sustentável no Brasil durante evento na  Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO)  — Foto: ApexBrasil

Nos cenários mais ambiciosos com o Plano ABC+, a intensidade cai 92,6%, chegando a apenas 5 kg. Isso acontece porque o carbono fixado no solo pela ILPF [Integração Lavoura-Pecuária-Floresta] e pela recuperação de pastagens atua diretamente na remoção dessas emissões.

O estudo comprova que no cenário mais arrojado de mitigação, o Brasil conseguirá estabilizar sua produção em patamares elevados (18,2 milhões de toneladas de carcaça em 2050) reduzindo a área necessária de pastagens em mais 35%, amparado pelo aumento de 31% no peso médio da carcaça do animal abatido (que saltará de 211 kg para 277 kg).

Durante o evento de lançamento do estudo, o diretor de Produção e Sanidade Animal e Diretor-Geral Assistente da FAO, Thanawat Tiensin, reforçou a necessidade de governança e união multissetorial.

“Quando falamos de produção pecuária sustentável, cada país precisa encontrar seu próprio caminho. A Agenda 2030 e seus objetivos não são uma opção. O ponto central é a necessidade de trabalhar em conjunto com agricultores, produtores, setor privado, academia e instituições de pesquisa. A transformação que buscamos precisa ser construída de forma coletiva”, declarou.

Exigências do mercado

 

Para o setor exportador, a apresentação do estudo dentro do Subcomitê de Pecuária do COAG — órgão que orienta as políticas agrícolas globais da ONU — funciona como um aval de credibilidade que embasa o produto brasileiro frente às exigências do mercado externo.

Fernando Zelner, Diretor de Sustentabilidade da Abiec, resumiu o valor estratégico do embasamento científico para a reputação internacional do agronegócio:

“Isso é fundamental para a exportação e para a gente trazer os dados duros, com ciência bem fundamentada, para mostrar para o mundo por que a nossa carne é sustentável e por que que o nosso produto é confiável e merece estar em todas as prateleiras dos supermercados do mundo”.

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