Brasil é o único taxado com déficit com os EUA. Americanos vão pagar mais por carne, café e chocolate

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Brasil é o único taxado com déficit com os EUA. Americanos vão pagar mais por carne, café e chocolate

O anúncio de que vai taxar o Brasil em 50% feito nesta quarta-feira pelo presidente americano Donald Trump, além de incomum por relacionar o comércio com questões políticas, é atípico por atingir um país que tem déficit no comércio com os Estados Unidos.

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O Brasil está entre os 20 maiores parceiros comerciais dos EUA. Dos outros sete países citados nos anúncios de Trump na quarta-feira, apenas as Filipinas — que enviaram cerca de US$ 14,1 bilhões em mercadorias aos EUA no ano passado — figuram entre os 50 maiores.

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Enquanto quase todos os outros apresentam grandes superávits, o Brasil mantém um déficit comercial com os EUA de US$ 3,2 bilhões. Dos outros 23 países que receberam notificações do governo americano, a Moldávia aparece praticamente zero a zero no comércio com os EUA. O Brasil garante aos Estados Unidos seu sexto maior superávit comercial com qualquer outro país.

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Em 2024, o Brasil importou cerca de US$ 44 bilhões em produtos americanos, enquanto as importações dos EUA provenientes do Brasil somaram aproximadamente US$ 42 bilhões, segundo as estatísticas americanas.

 

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As importações provenientes dos seis países restantes, somadas, totalizaram menos de US$ 15 bilhões no ano passado, sendo que o Iraque — exportador de petróleo bruto — respondeu por cerca da metade desse valor.

Com o rebanho bovino americano no menor nível desde a década de 1950, os frigoríficos têm dependido mais do fornecimento de países como o Brasil e os preços das carnes têm subido. Em 2024, cerca de US$ 1,4 bilhão em carne bovina foi importado do Brasil pelos EUA, sendo que os embarques realizados nos primeiros cinco meses de 2025 também superaram o mesmo período de 2024.

E, embora Brasil e EUA sejam concorrentes em alguns mercados agrícolas, o país sul-americano também produz produtos tropicais como café e cacau, que não podem ser cultivados no território continental dos EUA.

 

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Os EUA importaram quase US$ 2 bilhões em café do Brasil no ano passado, segundo o Departamento de Agricultura americano.

— Produtos siderúrgicos, equipamentos de transporte, principalmente aeronaves e peças de aeronaves, máquinas especializadas, como equipamentos de engenharia civil, e minerais não metálicos representam uma parte significativa das exportações brasileiras para os EUA — disse Felipe Arslan, CEO da Morada Capital.

 

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As tarifas sobre o Brasil podem ter um impacto significativo nos preços dos alimentos nos Estados Unidos.

Cerca de um terço do café consumido nos EUA — o maior consumidor da bebida no mundo — vem do Brasil, e mais da metade de todo o suco de laranja vendido no país também é proveniente da potência agrícola sul-americana.

Pouco mais de 10% das exportações do Brasil têm como destino os Estados Unidos. Essas vendas representaram apenas cerca de 1% do PIB brasileiro.

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Além das repercussões econômicas, analistas manifestaram preocupação com as implicações políticas das tarifas. Os Estados Unidos e o Brasil são parceiros históricos que, por muito tempo, mantiveram relações sólidas, mesmo quando liderados por presidentes com diferenças ideológicas — uma dinâmica que o anúncio de Trump ameaça colocar em risco.

— Não se trata apenas de comércio bilateral — disse Solange Srour, chefe de macroeconomia do Brasil no UBS Global Wealth Management. — Essas tarifas demonstram que nossas relações entre os países como um todo, institucionalmente, estão degradadas e prejudicadas. Uma tarifa de 50% é algo que, em muitos casos, pode tornar as exportações inviáveis.

Veja abaixo o volume de importações dos EUA em 2024 dos países que receberam novas tarifas na quarta-feira. Brasil é o principal parceiro dos EUA entre os alvos das novas tarifas:

 

  • Brasil – US$ 42,3 bilhões
  • Filipinas – US$ 14,2 bilhões
  • Iraque – US$ 7,4 bilhões
  • Sri Lanka – US$ 3 bilhões
  • Argélia – US$ 2,5 bilhões
  • Líbia – US$ 1,5 bilhão
  • Brunei = US$ 200 milhões
  • Moldávia – US$ 100 milhões

FONTE: O Globo

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