O agro brasileiro colhe e produz com força, mas na hora de guardar a produção ainda tá devendo. Segundo a Kepler Weber, o país precisaria investir R$ 148 bilhões pra zerar o déficit de armazenagem e conseguir guardar tudo o que deve sair da safra 2025/26. A conta do aperto também assusta, faltam espaço e estrutura pra 135 milhões de toneladas de grãos. É muita soja, milho e companhia vivendo sem teto.
Hoje, a capacidade estática do país atende 223 milhões de toneladas, mas a produção estimada já bate 357 milhões. Aí não tem mágica, tem correria. Como a safra cresce mais rápido do que a armazenagem, muita gente acaba vendendo na pressa só pra liberar espaço ou apelando pra armazenamento a céu aberto, que é quase o agro dizendo “deixa ali por enquanto e depois a gente vê”. A Kepler calcula que o Brasil precisaria de mais 7 mil armazéns pra fechar esse buraco, mas só tá botando de pé 2 mil por ano. Então, pra zerar esse gargalo, o trampo teria que ser feito no estilo JK, 5 anos em 1.
O problema fica ainda mais caro porque o Brasil também armazena pouco dentro da fazenda. Só 16% das unidades armazenadoras estão dentro da porteira, contra 65% nos Estados Unidos e 40% na Argentina. Ou seja, além de colher muito, o produtor brasileiro ainda precisa rodar mais com a produção, gastar mais com frete e perder margem num momento em que escolher melhor a hora de vender podia fazer diferença. A indústria diz que até tem capacidade pra produzir mais silo, mas o crédito segue curto, o juro continua indigesto e o investimento de longo prazo anda mais difícil de descer do que papo de banco em feira do agro.
Fonte: Agroespresso
Foto: Kepler Weber/Divulgação

