O BID Invest, braço do Banco Interamericano de Desenvolvimento voltado para o setor privado, aprovou um empréstimo de US$ 30 milhões (aproximadamente R$ 150 milhões) para o Itaú financiar a adoção de práticas de agricultura regenerativa por produtores de soja no Cerrado. O apoio do banco multilateral poderá chegar a até R$ 300 milhões (ou US$ 59 milhões, na cotação atual) no projeto.
A projeção inicial é oferecer fundos para uma área de 200 mil hectares, com o potencial de expansão para 600 mil hectares. O projeto tem duração prevista de até seis anos e poderá totalizar até R$ 1 bilhão.
O foco do programa é incentivar o plantio de cobertura, prática que protege o solo da degradação, e o uso de bioinsumos, que são produzidos a partir de micro-organismos e podem substituir produtos químicos como agrotóxicos. O objetivo é melhorar a saúde do solo e aumentar a resiliência climática das áreas.
Os produtores deverão comprovar que suas propriedades são livres de desmatamento e estão em compliance com direitos humanos e condições apropriadas de trabalho.
Os recursos do BID Invest serão destinados a implementar assistência técnica e sistemas de mensuração e verificação para garantir os padrões de sustentabilidade entre os produtores contemplados pelo programa. Estão previstas verificações de requisitos como a qualidade do solo e emissões de gases estufa, além do monitoramento de satélite para impedir uso de áreas desmatadas.
Recursos da Unilever, que tem uma iniciativa global para promover a agricultura regenerativa, também fazem parte do programa.
O crédito oferecido aos produtores por meio do programa poderá cobrir apenas áreas em que técnicas de agricultura regenerativa são implementadas. O prazo para o empréstimo será de um ano, em linha com o uso de Cédula de Produto Rural (CPR), títulos comumente usados por produtores para financiar suas safras.
Procurado, o Itaú informou que só poderia comentar sobre o projeto depois que todos os acordos com o BID estejam assinados.

