Elienai Trindade enxergou no agro não apenas uma herança, mas uma estratégia de sobrevivência. Filha de mãe empregada doméstica e pai agricultor, ela relembra a infância simples em Ribeira do Pombal, no interior da Bahia, quando havia carne na mesa da família apenas uma vez por mês.
Sua vida se transformou graças à educação e ao caju, relata a produtora, que hoje, aos 30 anos, é engenheira agrônoma, presidente da Cooperativa Regional de Agricultores Familiares de Ribeira do Amparo, Cipó e Ribeira do Pombal (Cooperprac) e vice-presidente da Cooperacaju, rede dedicada ao aproveitamento integral da fruta e ao fortalecimento da agricultura familiar na região.
A região colhe caju em abundância, mas cerca de 90% do pedúnculo — a parte carnuda e suculenta do fruto — ainda é descartado no campo. Foi nesse desperdício que Elienai enxergou uma oportunidade.
A ideia começou a amadurecer em 2018, quando a produtora se associou à Cooperprac. Em 2021, ela venceu o programa CNA Jovem, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, e seu plano de aproveitamento integral do caju recebeu apoio financeiro do Banco Mundial.
A iniciativa deu origem a produtos como “caju burger” e “carne de caju”. Hoje, mais de 400 famílias fornecem a fruta para a fabricação desses e de outros itens.
Elienai afirma que, para continuar se desenvolvendo, tem buscado capacitação principalmente na área de gestão. Enquanto isso, a agrônoma segue trabalhando para melhorar a renda de pequenos produtores e transformar a alimentação da população.
Fonte: Globo Rural
Foto: Arquivo pessoal

