Apenas 2,34% dos currículos no Brasil mencionam inteligência artificial, mostra pesquisa da Hubble

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Apenas 2,34% dos currículos no Brasil mencionam inteligência artificial, mostra pesquisa da Hubble

inteligência artificial avança nas empresas e começa a modificar as habilidades procuradas pelos empregadores, mas essa transformação ainda aparece pouco nos currículos dos profissionais. Apenas 2,34% dos currículos analisados pela Hubble mencionam IA entre suas competências.

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O levantamento da plataforma de recrutamento e seleção, criada pelo Grupo Hub, considerou 41.488 currículos com data de nascimento válida. Desse total, somente 972 apresentavam alguma menção à inteligência artificial.

O resultado chama atenção diante das mudanças no mercado de trabalho. Dados do LinkedIn apontam que saber utilizar IA, transformar dados em decisões e lidar com outras competências tecnológicas está entre as habilidades que mais crescem no Brasil em 2026.

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Globalmente, a plataforma estima que 70% das habilidades utilizadas na maioria dos empregos mudarão até 2030, tendo a IA como um dos principais catalisadores dessa transformação.

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Geração Z é quem mais coloca IA no currículo

A diferença fica ainda mais evidente quando os currículos são separados por geração.

Foto: Pexels

Entre os 7.414 profissionais da geração Z analisados, 5,14% mencionam inteligência artificial. O percentual é cerca de 2,7 vezes maior que o registrado entre millennials.

Confira:

  • Geração Z: 5,14%
  • Millennials: 1,88%
  • Geração X: 1,37%
  • Baby boomers: 0,66%

Apesar de liderar o levantamento, a geração Z também apresenta um índice baixo: aproximadamente 95 em cada 100 currículos de jovens dessa geração não mencionam IA.

Para Victor Fazzio, sócio sênior do Grupo Hub e CEO da Hubble, uma das possíveis explicações está no momento em que esses profissionais ingressaram no mercado.

“Os mais jovens estão construindo suas carreiras em um momento em que a IA já ganha espaço nas empresas”, afirma.

Segundo o executivo, entretanto, o uso da tecnologia no trabalho nem sempre é entendido pelo profissional como uma competência que deveria aparecer no currículo.

“Ainda assim, mesmo entre esse grupo, apenas cerca de 5% dos currículos fazem referência à IA. Esse resultado pode estar relacionado a diferentes fatores: muitos profissionais podem já utilizar essas ferramentas no dia a dia, mas ainda não enxergá-las como uma competência a ser apresentada no currículo”, explica.

IA ganha importância no mercado de trabalho

A baixa presença nos currículos contrasta com as projeções para os próximos anos.

Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, aponta IA e big data como as habilidades de crescimento mais rápido até 2030. O levantamento, realizado com mais de mil empresas, indica ainda que 39% das competências consideradas essenciais para o trabalho deverão mudar até o fim da década.

A tendência também aparece nos dados do LinkedIn. Em 2026, a plataforma colocou competências relacionadas ao uso de inteligência artificial entre as habilidades em alta no Brasil.

Isso não significa, porém, que simplesmente acrescentar nomes como ChatGPT, Claude ou outras ferramentas de IA ao currículo seja suficiente.

Colocar “ChatGPT” no currículo é suficiente?

Para a Hubble, o ponto central está menos no nome da ferramenta e mais na capacidade de demonstrar como a inteligência artificial é aplicada profissionalmente.

“Duas pessoas podem colocar ChatGPT no currículo e ter níveis de domínio completamente diferentes. O nome da ferramenta, sozinho, não mostra como aquele profissional a utiliza no trabalho, em quais atividades consegue aplicá-la ou que resultados obtém com esse uso”, afirma Fazzio.

Na prática, em vez de simplesmente relacionar uma ferramenta entre as habilidades, o profissional pode contextualizar onde e para que utiliza IA.

Um profissional de marketing, por exemplo, pode descrever aplicações em análise de dados, pesquisa, automação ou desenvolvimento de campanhas. Um programador pode apresentar o uso da tecnologia para documentação, testes ou apoio à programação. Já profissionais administrativos podem destacar automações, análise de documentos ou otimização de processos.

O importante, segundo a avaliação da Hubble, é permitir que o recrutador diferencie o conhecimento superficial da capacidade de utilizar a tecnologia com autonomia, senso crítico e domínio da própria área profissional.

Currículos podem estar atrás da transformação do trabalho

Os números levantam uma questão que vai além do conhecimento sobre ferramentas específicas: profissionais podem estar utilizando inteligência artificial sem transformar essa experiência em uma competência visível para recrutadores.

Essa diferença tende a ganhar importância à medida que processos seletivos passam a avaliar não apenas familiaridade com ferramentas digitais, mas a capacidade de aplicá-las para solucionar problemas e melhorar resultados.

O próprio LinkedIn aponta que a alfabetização em IA está entre as habilidades de crescimento mais acelerado em diferentes regiões e funções profissionais.

Diante dessa nova realidade, o desafio para quem procura emprego passa a ser menos simplesmente declarar que “sabe usar IA” e mais conseguir demonstrar o que sabe fazer com ela.

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