A safra 2025/26 se inicia com um cenário global adverso, marcado por juros elevados, desaceleração econômica e tensões geopolíticas – com destaque para os conflitos no Mar Negro e no Golfo Pérsico. Esse cenário pressiona os custos de insumos agrícolas, encarecendo a produção brasileira, no momento em que os preços das principais commodities agrícolas apontam tendência de queda.
Para o Itaú BBA, todos esses fatores exigirão dos produtores brasileiros maior atenção à gestão do câmbio e dos seus custos.
Pedro Fernandes, diretor de agronegócios do Itaú BBA, alertou para a cultura do milho. Segundo ele, os produtores compraram menos de um terço dos fertilizantes para a safra 2025/26 e não há sinal de queda nos preços desses insumos nos próximos meses. Já as compras de fertilizantes para soja chegam a 80% do consumo previsto para a nova safra. “Vai haver aumento nos custos de produção da soja, mas para o milho safrinha talvez seja ainda mais complicado”, afirmou.
Para soja e milho a expectativa é de produção maior no Brasil e no mundo, pressionando os preços futuros dessas commodities, devendo reduzir as margens de lucro dos produtores.
Mesmo para culturas perenes, como laranja e café, os preços recuaram nas últimas semanas, levando a uma estimativa de margens menores, ainda que positivas.
A valorização recente do real tem incentivado as importações no momento em que o setor de arroz precisaria exportar. O produtor de trigo também enfrenta dificuldades para competir com o cereal argentino, o que contribui para a perspectiva de redução da área plantada.
Do lado das proteínas, o cenário é mais favorável. A queda nos preços do farelo da soja e do milho e seus derivados ajuda a reduzir os custos com ração animal. A bovinocultura deve atravessar um bom momento, com queda no custo da ração, aumento nos confinamentos e demanda internacional firme.
Para os segmentos de aves e suínos, a expectativa também é de captura de ganhos com os custos mais favoráveis. Fernandes disse que a questão da gripe aviária traz preocupação no curto prazo, mas com a ausência de novos casos em granjas comerciais, a tendência é que o Brasil normalize as exportações, podendo até “renovar os recordes de exportação de frango”.

