A agtech Digital Workbench trouxe um “armamento” digno de Guerra nas Estrelas como aliada dos produtores no combate às ervas daninhas: o laser.
Durante a Agritechnica, maior feira de máquinas agrícolas do mundo, realizada em Hannover (Alemanha), a empresa alemã apresentou um robô autônomo capaz de eliminar plantas indesejadas pela raiz com disparos de laser guiados por inteligência artificial.
A inovação pretende substituir ou reduzir o uso de herbicidas e diminuir a dependência de mão de obra, um dos gargalos da horticultura europeia.
“Um capinador a laser sozinho não funciona. É essencial saber onde está a planta daninha”, explicou Bernhard Limbrunner, chefe de Vendas, Produto e Serviços da Digital Workbench.
Por isso, segundo ele, o robô combina visão computacional e algoritmos de IA para detectar e atingir com precisão o centro e as raízes das plantas indesejadas.
“Nosso sistema indica ao laser exatamente onde disparar. O segredo é mirar no ponto vital da erva, não apenas nas folhas”, completou.
A partir de R$ 420 mil
O equipamento faz parte da linha T-Pod, desenvolvida pela empresa nos últimos cinco anos. São três modelos de plataformas autônomas, que variam em tamanho, potência e aplicação.
O T-Pod 500, o menor, é elétrico e voltado a tarefas leves, como monitoramento e fenotipagem, com autonomia de até seis horas por carga.
Já os modelos T-Pod 1500 e T-Pod 2500 são híbridos, com motores diesel-elétricos capazes de operar 24 horas por dia com simples reabastecimento de combustível.
“Chamamos de uma ‘plataforma multicarrinho’. Ela não é apenas um robô de capina, mas um sistema que pode receber diferentes implementos, desde semeadoras e pulverizadores até colhedoras seletivas de hortaliças”, afirmou Limbrunner.
O conceito é que uma única base autônoma possa conduzir todas as etapas do ciclo vegetativo, da semeadura à colheita.
Os preços acompanham a sofisticação. O T-Pod 500 custa cerca de €70 mil (R$ 420 mil), enquanto o T-Pod 1500 varia de €150 mil a €190 mil (até R$ 1,14 milhão). O modelo mais robusto, o T-Pod 2500, chega a €230 mil (cerca de R$ 1,4 milhão).
Cada um pode ser configurado conforme o tipo de implemento e a necessidade do produtor.
“O preço depende muito do tamanho da estrutura e do conjunto de ferramentas instaladas”, explicou o executivo.
Brasil no radar
A tecnologia tem despertado o interesse de produtores de hortaliças na Alemanha e na Holanda, principais mercados de estreia da Digital Workbench.
“Esses agricultores enfrentam sérios problemas com plantas daninhas, e hoje boa parte do trabalho ainda é feita manualmente. A mão de obra ficou cara demais e escassa. A automação virou necessidade, não luxo”, disse.
O robô pode trabalhar tanto em ambientes controlados como em campo aberto, ajustando-se a diferentes tipos de culturas, do cultivo de alface à semeadura de grãos.
Além da capina, a empresa também testa o uso de implementos de pulverização localizada e colheita seletiva, o que abre novas possibilidades para sistemas agrícolas mais sustentáveis.
Por enquanto, a Digital Workbench concentra suas operações na Europa, mas o Brasil está no radar.
“Temos planos de internacionalizar as vendas, inclusive no Brasil, mas só quando pudermos garantir suporte técnico local”, disse Limbrunner.
Fonte: Globo Rural
Foto: Divulgação

