Pioneira no país na adoção de agroflorestas para produção agrícola, a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (Camta), no nordeste do Pará, pretende mais que dobrar a área de plantio com esses sistemas nos próximos anos. O modelo deverá servir de inspiração para os planos do governo de conversão de áreas degradadas no país e ser vitrine brasileira de boas práticas durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), em Belém.
Atualmente, os 170 cooperados cultivam sete mil hectares em sistemas agroflorestais, nos quais produz açaí, cacau, pimenta-do-reino e frutas diversas para polpas. Outros dez mil hectares usados em monocultivo estão prontos para serem renovados e transformados em agroflorestas. O foco será o cultivo de dendê, a partir de um modelo produtivo validado por estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e de empresas privadas e outras instituições.
A produção em sistemas agroflorestais consiste no aproveitamento de uma área para cultivo simultâneo de diversas espécies agrícolas e florestais, em um ambiente de economia circular e manejo agroecológico que se retroalimenta. Os sistemas utilizam adubação verde das folhas e biomassa das plantas, além de serem capaz de gerar renda contínua ao longo do ano.
“Antes, por não existir pesquisa, tínhamos monocultivo de dendê, não podíamos cultivar outras espécies [em consórcio], pois isso poderia reduzir a produtividade. Agora, a pesquisa está consolidada”, afirmou Suzuki. Ele já tem 50 hectares de agrofloresta com dendê e pretende converter mais 120 hectares. Ao todo, a fazenda tem 430 hectares, boa parte com reserva de mata nativa.
Fonte: Globo Rural

