Agro encontra novas rotas de financiamento

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Agro encontra novas rotas de financiamento

Com demanda estimada em mais de R$ 1 trilhão por ano e as linhas controladas encolhendo, o agro corre, cada vez mais, para Letras de Crédito (LCA), Certificados de Recebíveis (CRA) e Fundos de Investimentos nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) para financiar a produção, comercialização e industrialização das lavouras e da pecuária.

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As emissões de CRA foram o destaque de agosto do boletim da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), no valor R$ 6,6 bilhões — 11,4% do valor total colocado em mercado e o maior desde março de 2024. O boletim também destaca a primeira emissão pública de uma Cédula de Produto Rural (CPR), no valor de R$ 1,5 bilhão.

David Télio, diretor de novas estruturas financeiras da fintech TerraMagna, vê aí o amadurecimento do mercado de capitais em relação ao agro. Lembra que, da primeira colocação de CRA, em 2012, foram 14 anos para se chegar à marca de R$ 44 bilhões, enquanto a captação do Fiagro, cuja lei foi aprovada no final de 2021, atingiu R$ 47 bilhões em três anos. “O mercado de capitais está muito mais maduro, já entende bem o agronegócio e tem apetite, mesmo com o solavanco em 2023/24, com seca, queda de preço, inadimplência, etc. Há dezenas de operações em curso; eu mesmo tenho duas agora, num mercado com muito apetite”, diz.

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Luiz Masagão Ribeiro Filho, vice-presidente de produtos e clientes da B3, concorda: “É um momento de consolidação dos instrumentos existentes, ganhando muita robustez, volume, liquidez”. Ele cita o montante de quase R$ 500 bilhões de CPRs, a primeira emissão pública do ativo e a participação de quase 500 mil CPFs nas carteiras dos fundos.

Esse crescimento dos últimos anos não eliminou obstáculos como burocracia, risco climático, inadimplência, garantias, concentração do crédito nas grandes empresas e incerteza tributária. “Por isso, o mercado está muito atento a inovações, em particular a tokenização dos ativos agrícolas”, sinaliza o head e sócio da Valor Capital, de Vitória, Pablo Alencar.

A tokenização permite transformar um estoque de grãos, uma safra futura, CPRs ou qualquer outro recebível em uma representação digital mantida em sistema de registro distribuído (blockchain) e passível de custódia, transferência e negociação em meio eletrônico. “Isso permite fracionar o ativo, aumentar sua liquidez e dar acesso para investidores menores, com custos menor e muito menos intermediação”, frisa o executivo.

“Ela [a tokenização] traz mais segurança no processo de formalização, organiza melhor a leitura de operações, o que as torna mais baratas. Mas ainda está engatinhando e falta regulação”, complementa Guilherme Grahl, gestor do Fiagro da Valora Investimentos.

 

 

Em contrapartida, as debêntures incentivadas para projetos de irrigação, aprovadas em 2022, não deslancharam, ao contrário dos papéis de energia, transporte e saneamento. “O instrumento existe, já foi legalmente previsto, mas até agora teve pouca adesão real, por causa dos riscos, da estruturação onerosa e da falta de exemplos bem-sucedidos”, diz Grahl.

 

Fonte: Globo Rural

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