A agricultura no nordeste da China chama atenção pela escala de produção, pelo uso intensivo de insumos e por características de manejo diferentes das observadas no Brasil. Segundo Jeferson Souza, analista de inteligência de mercado, a percepção durante visita a Harbin é de uma produção gigantesca, embora com menor nível de tecnificação em relação ao padrão encontrado em áreas agrícolas brasileiras.
Em visita a um pequeno grupo de produtores rurais, Souza observou lavouras de milho em boas condições e destacou que as características do solo na região são distintas das encontradas no Brasil. A produtividade relatada fica próxima de 200 sacas por hectare, enquanto o custo de produção gira em torno de R$ 5 mil por hectare. Na avaliação apresentada pelo analista, os números ajudam a dimensionar uma atividade que, mesmo com diferenças tecnológicas, mantém desempenho relevante e chama atenção pela relação entre rendimento e custo.
A dimensão da agricultura chinesa também aparece no consumo de fertilizantes. De acordo com os dados citados por Souza, o país utiliza entre 42 milhões e 45 milhões de toneladas de ureia por ano. O volume, sozinho, é comparável ao tamanho de todo o mercado brasileiro de fertilizantes, o que reforça a escala da demanda agrícola chinesa.
A passagem por Harbin permitiu ao analista associar os números já conhecidos sobre a região à realidade observada no campo. A combinação entre grandes áreas produtivas, custos relativamente baixos, produtividade elevada e forte consumo de ureia mostra a dimensão de uma agricultura que opera em escala muito superior à brasileira em alguns segmentos.

