Agricultor monta sistema solar de R$14 mil por conta própria, usa a energia para irrigar 3 hectares, reduzir 90% da conta de luz e até tocar a casa inteira durante o dia Escrito por Carla Teles Publicado em

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Agricultor monta sistema solar de R$14 mil por conta própria, usa a energia para irrigar 3 hectares, reduzir 90% da conta de luz e até tocar a casa inteira durante o dia Escrito por Carla Teles Publicado em

No Norte de Minas, agricultor monta sistema solar sozinho, investe cerca de R$ 14 mil em placas usadas e bomba nova, irriga a roça, toca a casa durante o dia e reduz em 90 por cento o gasto com energia.

Quando um agricultor monta sistema solar sozinho em vez de comprar um kit pronto, o objetivo não é luxo, é sobrevivência no campo. Em Jaíba, no Norte de Minas, um produtor rural decidiu apostar no próprio conhecimento e na coragem para montar, peça por peça, um sistema fotovoltaico capaz de bombear água de um poço artesiano profundo, irrigar 3 hectares e ainda fazer ventilador, tanquinho e liquidificador funcionarem na casa durante o dia.

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A decisão veio depois de um susto na conta de luz. A fatura da concessionária passou de mil reais, quase derrubou o orçamento do sítio e virou o gatilho para a mudança. Em vez de voltar para a cidade e trabalhar de empregado outra vez, ele optou por vender algumas vacas, levantar o dinheiro, comprar bomba, inversor, placas usadas e montar o projeto por conta própria, em um sítio de 5 hectares que sustenta a família de sol a sol.

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Do susto na conta de luz ao projeto de R$ 14 mil

O ponto de partida foi claro. A conta da SEMIG chegou alta demais e, como o próprio produtor explica, “na conta de energia não tem choro, se gastou, tem que pagar”.

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Foi aí que ele decidiu que precisava encontrar uma saída para continuar no sítio, manter a irrigação da roça e dos piquetes do gado e, ao mesmo tempo, derrubar o custo fixo da energia elétrica.

Em vez de contratar uma empresa para entregar tudo pronto, o agricultor monta sistema solar sozinho desde o começo.

 

Ele mesmo pesquisou, escolheu as peças, fechou a compra da bomba, do inversor, da fiação e das placas. Não se tratava de um kit fotovoltaico de prateleira, mas de um sistema desenhado para a realidade do sítio: poço profundo, vazão alta e necessidade de irrigação constante.

O investimento principal ficou concentrado em dois itens. A bomba submersa trifásica de 5 cavalos e o inversor custaram cerca de R$ 9.500, adquiridos em uma empresa da região.

As placas, compradas usadas, custaram R$ 450 cada uma. Considerando as 10 placas que efetivamente alimentam o sistema, foram R$ 4.500. Somando bomba, inversor e módulos, o projeto chegou a aproximadamente R$ 14 mil, valor viabilizado com a venda de gado e muito planejamento.

Poço forte, água em abundância e energia sob medida

Antes de falar das placas, o produtor faz questão de mostrar a base de tudo: o poço artesiano. Perfuração de cerca de 95 metros, com veia de água encontrada a 87 metros e vazão de aproximadamente 40 mil litros por hora.

É essa água que garante a irrigação das lavouras e dos pastos e faz do sistema solar um investimento que se paga em produtividade.

O poço tem uma faixa seca de cerca de 20 metros, como ele explica, mas todo o restante da coluna está preenchido por água, o que permite bombeamento seguro durante longos períodos de irrigação.

Para acompanhar essa estrutura, a bomba antiga monofásica foi trocada por uma bomba trifásica mais potente, de 5 cavalos, capaz de entregar vazão em torno de 17 mil litros por hora.

O agricultor monta sistema solar sozinho pensando na combinação entre bomba, inversor e placas, ajustando o sistema para acionar a bomba diretamente com a energia gerada pelo sol.

Nada de exageros tecnológicos, apenas o necessário para tirar a água do poço e levá-la até a lavoura com o menor custo possível.

 

Placas usadas, strings e um sistema off grid na roça

Na parte de cima, sobre estruturas simples, estão as placas fotovoltaicas. São 12 módulos de 400 watts cada, organizados em duas strings, seis de cada lado.

No entanto, por causa da capacidade do inversor, ele optou por usar apenas 10 placas no sistema principal, o suficiente para tocar a bomba de 5 cavalos com segurança.

Duas placas ficaram sobrando e foram desativadas. Em vez de deixá-las encostadas, o agricultor doou esses módulos para um vizinho, que também pretende montar o próprio sistema.

É mais um reflexo da lógica de quem vive da roça: quando o agricultor monta sistema solar sozinho, ele aprende, testa e acaba ajudando outros produtores a seguir o mesmo caminho.

O sistema foi projetado em formato off grid direto para a bomba. Isso significa que a energia gerada nas placas vai para o inversor e, do inversor, segue diretamente para a bomba, sem injeção na rede da concessionária e sem uso de baterias de armazenamento. O foco é reduzir o gasto da irrigação, que era o grande vilão da conta de luz.

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Irrigação de 3 hectares e queda de 90 por cento no consumo da rede

Com as 10 placas e a bomba de 5 cavalos, o agricultor consegue irrigar cerca de 3 hectares no sítio. A água do poço abastece lavouras e piquetes de gado, mantendo a produção mesmo em períodos de pouca chuva.

 

A energia solar passou a ser a principal fonte para esse bombeamento, aliviando o uso da rede elétrica tradicional.

Os resultados apareceram na conta. O que antes vinha na casa dos mil reais agora cai, na maior parte dos meses, para valores próximos da taxa mínima, ou pouco acima disso.

Em meses de maior uso noturno, quando ele opta por irrigar à noite ligado na rede, a cobrança sobe um pouco, fica na faixa de pouco mais de cem reais.

Mesmo assim, ele calcula que o consumo de energia da concessionária caiu cerca de 90 por cento em comparação ao período anterior ao sistema solar.

Na prática, isso significa mais fôlego para manter o sítio, comprar insumos, cuidar do gado e investir em melhorias sem depender tanto do dinheiro que antes ia quase todo para a conta de luz.

 

Um dos pontos mais interessantes do projeto é o uso da mesma energia gerada para a bomba também dentro de casa.

O agricultor monta sistema solar sozinho com uma ideia própria: puxar parte da energia trifásica que alimenta a bomba e levar até a residência, que fica a cerca de 50 metros do conjunto de placas.

Com a ajuda de um técnico, ele instalou disjuntores para derivar duas fases da alimentação e mandar energia até a casa durante o dia, enquanto o sistema está em operação.

Lá, um controlador de voltagem faz a conversão para 110 volts, padrão dos equipamentos da família.

Assim, ventilador, tanquinho de lavar roupa, liquidificador e outros aparelhos funcionam com a energia que já está sendo usada para irrigar, sem baterias e sem injeção na rede.

 

É um arranjo simples, mas inteligente, que aproveita o período de sol forte para reduzir ao máximo o consumo da concessionária durante o dia.

Um projeto médio que cabe na realidade de pequenos produtores

O próprio produtor define o sistema como um projeto médio. Não é um sistema pequeno de apenas algumas placas para bombear água para um bebedouro de gado, mas também não é um grande parque solar conectado à rede.

É um meio termo pensado para quem precisa irrigar área relevante e ao mesmo tempo quer diminuir a dependência da energia da concessionária.

Para propriedades menores, ele explica que seria possível montar um sistema ainda mais compacto. Para água de uso em casa ou para pequenos animais, uma bomba de meio cavalo ou um cavalo, alimentada por quatro placas, já poderia resolver o problema, desde que dimensionada corretamente.

O recado é que existe caminho para diferentes escalas, desde que se entenda bem a necessidade de água e de energia de cada sítio.

 

O que a história ensina para quem quer fazer o mesmo

Ao compartilhar o passo a passo, o produtor deixa claro que não é propaganda de empresa, é experiência de vida. Ele mostra o poço, a bomba, as placas, o inversor, o comando elétrico e o caminho da fiação até a casa.

Explica o que deu certo, o que encareceu o projeto, como foi a troca da bomba, a compra das placas usadas e a decisão de montar tudo sem depender de kit pronto da internet.

No fundo, a história de um agricultor que monta sistema solar sozinho é também a história de alguém que se recusa a abrir mão da vida na roça, mesmo diante de contas altas e de um cenário econômico difícil.

Ele prefere estudar, pedir ajuda técnica quando necessário, vender algumas vacas e investir em autonomia, em vez de abandonar o sítio e voltar para a cidade como empregado.

Ao final, o tom é de convite. Ele reforça que o canal e o projeto existem para ajudar outros agricultores que querem fazer o mesmo tipo de sistema, que têm terra, água e vontade de reduzir custos, mas ainda não deram o primeiro passo.

 

No campo, energia mais barata significa mais chance de permanecer na terra e viver do que a terra produz.

 

Fonte: CPG Click Petróleo e Gás 

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