Representantes do governo americano atuaram em território argentino na última quarta-feira para ajudar na fuga do senador e ex-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro, segundo publicou o jornal Clarín na sexta-feira. O veículo argentino afirma que agentes americanos assumiram por um “lapso de tempo” o controle de “boa parte do aeroporto de Iguazú”.
Os agentes americanos, entre os quais estava um ex-integrante do DEA, contaram com auxílio de parte do governo argentino para a ação. Segundo o Clarín, o presidente Javier Milei, aliado da família Bolsonaro, ordenou a seu assessor Santiago Caputo que viajasse a Missões para garantir que o plano funcionasse.
Segundo o Clarín, “integrantes da Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA), assim como funcionários da Imigração e da Alfândega, foram mantidos à distância por enviados ou representantes do exterior, que coordenaram os trâmites necessários para a partida dos Bolsonaro”.
O jornal afirma que o plano de fuga contou com ao menos quatro aeronaves privadas, com rotas e objetivos coordenados juntamente com o Departamento de Estado americano. O objetivo era despistar e criar alternativas para Flávio Bolsonaro, caso o plano original não desse certo.
Citando fontes anônimas, o Clarín confirma que a entrada de Flávio Bolsonaro se deu por terra, tendo como ponto de partida a casa do senador em Brasília. Segundo o jornal, a família Bolsonaro chegou a agendar um voo privado para a fronteira com a Argentina, mas o dono da aeronave desistiu da viagem por conta da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) para que Flávio entregasse o passaporte.
Assim, o trajeto até a fronteira foi feito de carro, uma viagem de mais de mil quilômetros. Seis carros deixaram a casa do parlamentar como uma forma de distração.
Segundo as autoridades argentina, Flávio cruzou a fronteira por volta de 22h30. A chegada ao aeroporto de Igauzú foi por uma entrada secreta, e o carro deixou a família diretamente no jato Gulfstream. Eles esperaram ainda cerca de 40 minutos para decolar.
Ainda segundo o jornal ao menos quatro jatos participaram da operação, que serviam como distração e possibilidade de rotas alternativas, caso o plano não desse certo.
A aeronave que transportou a família até os EUA voou até o aeroporto na noite de segunda-feira, onde ficou até a noite do voo. Segundo o Clarín, um outro jato, um Learjet 45, pousou no aeroporto de Igauzú doze horas antes do senador chegar e voltou para Buenos Aires. Outros duas aeronaves são citadas como possivelmente envolvidas. Com matrículas americanas, ambas fizeram voos dos EUA para a cidade de Posadas, onde fica o aeroporto, no período.

