Regra exige informação clara sobre o percentual de cacau nos rótulos — Foto: Canva / Creative Commons
Quem costuma procurar chocolate amargo nas prateleiras pode notar mudanças nos rótulos nos próximos meses. Com a nova lei que define como serão informados os percentuais mínimos de cacau, as embalagens passarão a destacar o teor do ingrediente, que deve se tornar a principal referência para identificar chocolates menos adocicados.
A nova regra não proíbe o uso de termos como “chocolate amargo” ou “meio amargo”. Na prática, porém, o consumidor deve passar a identificar o produto principalmente pelo percentual de cacau informado no rótulo, o que tende a tornar essas classificações menos relevantes ou menos destacadas nas embalagens.
Para representantes do setor, a mudança tende a trazer mais transparência para o consumidor. Segundo Guilherme Moura, diretor da Federação da Agricultura da Bahia (Faeb), o consumidor já costuma observar o teor de cacau na hora da compra.
Isso não significa o fim do chocolate amargo, mas uma mudança na forma como ele será identificado nas prateleiras. Em vez da classificação tradicional, o consumidor deverá se orientar principalmente pelo percentual de cacau no chocolate, informação que passará a aparecer com mais destaque nas embalagens.
“O consumidor, quando vai comprar o produto, está mais interessado na quantidade de cacau que tem o produto do que na sua nomenclatura”, afirma Guilherme em entrevista à Globo Rural.
Para ele, a própria expressão “chocolate amargo” pode gerar interpretações equivocadas. “A nomenclatura ‘amargo’ acaba sendo um equívoco, porque passa a impressão de algo negativo. Não é um adjetivo que normalmente remete à qualidade do produto”, diz.
Na avaliação do dirigente, a obrigatoriedade de informar o percentual de cacau no chocolate deve facilitar a escolha do consumidor, especialmente para quem prefere produtos com maior concentração do ingrediente.
“A divulgação do percentual nas embalagens substitui a nomenclatura e ainda refina a informação ao consumidor, gerando mais transparência e dando a certeza do que ele está consumindo”, afirma.
Segundo Moura, a mudança não altera o produto em si, mas a forma como ele é apresentado ao consumidor. “Na prática, não muda nada. Quem procura chocolates com maior concentração de cacau vai encontrar essa informação de forma muito mais explícita na embalagem.”

