A Quaresma é sinônimo de mudança no cardápio pela tradição de diminuir – ou até suspender, em muitos casos – o consumo de carne vermelha entre o Carnaval e a Páscoa. E o ovo de galinha, ao lado do peixe, está entre os alimentos preferidos dos brasileiros para substituir a proteína bovina nas preparações da gastronomia.
Mas, ao mesmo tempo em que a demanda cresce e o item ganha mais espaço à mesa, ele também encarece nas prateleiras de feiras e supermercados durante o período religioso devido à redução na oferta.
A coincidência alimenta o mito de que as aves põem menos ovos por motivos religiosos, o que não é verdade, afirma Márcia Portugal, coordenadora na Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG). Segundo a especialista, em entrevista à Globo Rural, a resposta está ligada à fisiologia do animal.
Entre os meses de fevereiro e abril, período em que acontece a Quaresma, os dias vão ficando mais curtos com a transição do verão para o outono. Além disso, as temperaturas começam a cair gradualmente. A combinação, aliada ao processo de muda, em que a ave perde as penas antigas e gasta mais energia para desenvolver as novas, leva a uma redução natural da postura de ovos.
“As galinhas precisam diariamente de 14h a 16h de luz para produzir ovos, porque a luz é responsável por regular e induzir o ciclo reprodutivo”, explica a especialista.
A redução da postura ocorre em todas as raças e linhagens, mas é mais acentuada nas aves sem raça definida, comuns em criações domésticas, onde a produção pode, inclusive, cessar completamente na Quaresma.
“Nas aves de raças e linhagens comerciais, a postura diminui, mas não é totalmente interrompida, pois elas são geneticamente melhoradas. Já no sistema caipira, a redução é mais evidente, pois não é permitido o uso de iluminação artificial, prática comum na avicultura industrial, onde as aves ficam em galpões com luz controlada para manter a produção”, finaliza Márcia.
O período em que a galinha reduz a postura varia conforme o estado nutricional e a raça. Em média, dura de oito a 12 semanas, mas, em alguns casos, pode se estender por até quatro meses.
Fonte: Globo Rural

