Os cactos costumam ser associados apenas à decoração e ao paisagismo de regiões áridas, mas algumas espécies também podem fazer parte da alimentação. Presentes em diferentes culturas ao redor do mundo, especialmente na culinária mexicana e em áreas desérticas, os cactos comestíveis surpreendem pelo valor nutricional, sabor e versatilidade no preparo de receitas. Ricos em fibras, vitaminas e antioxidantes, eles podem ser consumidos de diferentes maneiras, desde saladas até doces e bebidas.

O figo-da-índia se destaca pelo sabor adocicado e pela versatilidade na culinária, aparecendo em geleias, sucos, sorvetes e doces. Rico em vitamina C, fibras e antioxidantes, o fruto também é uma ótima opção para dietas equilibradas. (iStock/Divulgação)
Além de resistentes e fáceis de cultivar, muitos cactos produzem frutos saborosos e hastes apropriadas para o consumo humano. No entanto, é importante conhecer as espécies corretas e os métodos adequados de preparo, já que nem todos os cactos são seguros para comer. A seguir, conheça algumas das principais variedades comestíveis e descubra como elas podem ser utilizadas na culinária.
1. Palma forrageira

Cacto Palma.
A palma forrageira é uma das espécies de cactos mais consumidas no mundo. Muito popular no México, ela é conhecida tanto pelos frutos quanto pelas cladódias — as estruturas achatadas popularmente chamadas de “raquetes”. Os brotos jovens podem ser preparados grelhados, cozidos ou refogados, com sabor levemente ácido e textura semelhante ao quiabo. Já os frutos, conhecidos como figos-da-índia, são doces e refrescantes. No paisagismo, a espécie também chama atenção pelo visual escultural e pela resistência à seca.
2. Xique-xique

Cacto xique-xique.
Muito presente na Caatinga brasileira, o xique-xique é um cacto tradicional do sertão nordestino. Seus brotos podem ser preparados para consumo após a retirada dos espinhos e o cozimento adequado, aparecendo em receitas regionais e períodos de escassez hídrica. Além da importância alimentar, a planta também possui valor cultural e paisagístico por representar a resistência da vegetação brasileira.
3. Coroa-de-frade

Cacto Coroa-de-frade.
A coroa-de-frade é um cacto de formato arredondado e visual marcante, conhecido pela estrutura espinhosa que lembra uma coroa. Bastante valorizada em jardins secos e coleções de cactáceas, a espécie chama atenção pelo crescimento compacto e pela resistência à falta de água. Embora seja mais utilizada de forma ornamental, ela representa a diversidade de formas presentes entre os cactos brasileiros.
4. Ora-pro-nóbis

A ora-pro-nóbis é uma cactácea trepadeira que se destaca pelas folhas com alto valor nutricional. Rica em proteínas, fibras e minerais, ela é amplamente utilizada na culinária mineira em pratos como refogados, sopas e tortas. Seu cultivo simples, aliado ao crescimento rápido e à presença de espinhos, também faz da planta uma opção interessante para cercas-vivas e jardins com aspecto mais rústico.
5. Facheiro

Cacto Facheiro.
O facheiro é um cacto colunar bastante comum nas regiões semiáridas do Brasil, especialmente na Caatinga. Com porte imponente e crescimento vertical, ele se destaca no paisagismo xerófilo e ajuda a compor cenários típicos do sertão nordestino. Seus frutos podem ser consumidos in natura e possuem sabor adocicado, além de atraírem aves e outros animais da fauna local.
6. Mandacaru

Muito presente na paisagem do sertão brasileiro, o mandacaru também possui partes comestíveis. Seus frutos pequenos e avermelhados podem ser consumidos in natura e apresentam sabor doce e suave. Em períodos de seca, a planta historicamente também serviu de alimento para animais e populações locais após a retirada dos espinhos. No entanto, o consumo deve ser feito com cautela e apenas quando houver identificação correta da espécie e preparo adequado. Além da importância ecológica, o mandacaru é um símbolo da vegetação nordestina e um destaque no paisagismo xerófilo.

