Produtora gaúcha faz história ao superar europeus em competição internacional de azeites

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Produtora gaúcha faz história ao superar europeus em competição internacional de azeites

Nasceu da indignação do empresário gaúcho Lucídio Goelzer uma ideia que levaria o Brasil ao topo do mundo.
Nada de futebol, café ou samba no pé. A parada da vez é outra: o azeite. Há 25 anos, insatisfeito com a diferença de qualidade entre o produto nacional na prateleira e aquele que conheceu em terras estrangeiras, Goelzer decidiu plantar suas próprias oliveiras para consumo familiar. Anos mais tarde, os frutos tornaram-se mais que um negócio de sucesso na Estância das Oliveiras, gerenciada pelos seus filhos. A fazenda, localizada em Viamão, Rio Grande do Sul, foi saudada como produtora de um azeite digno da “nota da perfeição” no European International Olive Oil Competition (EIOOC), um dos principais concursos de azeite do mundo.

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Há duas semanas, enfrentando adversários de países tradicionais nessa seara como Espanha e França, seu rótulo Frantoio recebeu a nota 100/100 – nunca antes concedida a outro participante de qualquer país. “Foi unânime entre todos os juízes, algo muito fora da curva”, diz Rafael Goelzer, filho de Lucídio e sócio-diretor da Estância.

SONHO - Lucídio Goelzer: negócio familiar que rende frutos premiados
SONHO - Lucídio Goelzer: negócio familiar que rende frutos premiados (./Divulgação)
A história da família Goelzer ilustra a evolução notável da jovem indústria nacional de azeite. Concentrados no Rio Grande do Sul (que produz cerca de 80% do total no país) e na Serra da Mantiqueira, entre Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, os representantes desse mercado ainda engatinham em relação aos concorrentes do Mediterrâneo: enquanto lá essa é uma tradição de séculos, aqui o plantio comercial ganhou tração só em 2008. “Nossa família não tem histórico de décadas ou de ancestrais que produziam azeite. Começamos testando variedades, na tentativa e erro, quando não se tinha informação de qual espécie de oliveira daria certo no Brasil” , explica Goelzer.
Entre os desafios do cultivo de oliveiras está sua adaptação ao ambiente brasileiro. Originárias da região mediterrânea, essas plantas precisam de ajustes na nutrição vegetal, dada a diferente composição do solo sul-americano. O clima mais úmido da Serra da Mantiqueira, por exemplo, propicia a proliferação de fungos como a antracnose e de bactérias. Como o plantio comercial no país é recente, a produção de bioinsumos para combate às doenças e as pesquisas de melhoramento genético ainda são incipientes.

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